De Lisboa, do Mercado da Ribeira, para o Brasil
Quem já aterrou em Lisboa e seguiu, com a corrente de visitantes, até ao icónico Mercado da Ribeira, no Cais do Sodré, reconhece de imediato o ambiente: mesas corridas de madeira clara, partilhadas por todos, rodeadas por dezenas de quiosques onde cozinheiros com estrelas Michelin convivem com pequenos produtores locais.
Entre o ruído constante, o cheiro a pastéis de nata acabados de sair do forno a misturar-se com pratos contemporâneos e os brindes com vinhos da região, o espaço consolidou-se como uma paragem quase obrigatória para quem viaja.
Esse mesmo modelo -que, na última década, ajudou a redefinir o chamado “turismo de experiência”- prepara-se agora para atravessar o Atlântico.
O Time Out Group confirmou a assinatura de um contrato de franquia master com a Giunina LLC para lançar o primeiro Time Out Market na América do Sul, com São Paulo escolhida como porta de entrada no continente. A abertura está apontada para o primeiro trimestre de 2027.
A engrenagem por trás do hub gastronómico Time Out Market
Ao contrário de um food hall convencional ou das zonas de restauração de centros comerciais, o Time Out Market segue uma lógica declaradamente editorial. O conceito nasceu em 2014, no seio da redação da revista Time Out em Lisboa, quando a equipa decidiu transformar as páginas de recomendações num espaço físico. A presença no mercado depende de avaliação, testes e validação por um comité de especialistas locais.
No Brasil, a liderança da operação ficará a cargo do executivo Benjamin Ramalho, com mais de 30 anos de experiência nos sectores da hospitalidade e do entretenimento. O funcionamento assenta num modelo de infraestrutura partilhada: a marca trata da gestão do espaço, da segurança e da logística, enquanto os chefs se concentram no essencial - a cozinha.
“São Paulo é uma das grandes capitais gastronómicas do mundo e representa um passo entusiasmante na nossa expansão global. Queremos criar um destino que celebre o melhor do talento culinário e cultural da cidade”, afirmou Chris Ohlund, CEO do Time Out Group.
Localização em São Paulo e público-alvo
Embora a morada ainda não tenha sido revelada, os organizadores adiantaram que o mercado ficará numa zona estratégica da cidade. A intenção é garantir um local capaz de atrair, durante a semana, tanto o público corporativo e de escritórios (ao almoço e no after-work) como, ao fim de semana, turistas e residentes.
O que esperar da versão paulistana?
Apesar de o endereço final e os nomes dos primeiros chefs parceiros continuarem sob sigilo, já há elementos estruturais e de conceito que ajudam a antecipar o que viajantes e paulistanos deverão encontrar no início de 2027:
- Identidade local: o menu não será uma réplica das unidades europeias ou norte-americanas. A curadoria deverá percorrer a culinária vibrante de São Paulo, juntando alta gastronomia de chefs premiados ao melhor da “baixa gastronomia” e da comida de rua que marcam a personalidade da metrópole.
- Mistura de formatos: o pavilhão central reunirá uma combinação de quiosques de comida, bem como bares de cocktails de autor, padarias artesanais, cafés de especialidade, casas de hambúrgueres e pizzarias.
- Além do prato: alinhada com o ADN da marca em cidades como Nova Iorque, Dubai, Barcelona e Cidade do Cabo, a unidade de São Paulo contará com programação cultural regular, servindo também de palco para concertos, exposições de arte e intervenções culturais.
A escolha de São Paulo sublinha o papel da cidade como pólo de atracção para o turismo de negócios e de lazer que se faz à volta da mesa. Para quem chega à capital, o futuro mercado promete funcionar como uma espécie de “resumo executivo” da gastronomia paulistana - permitindo provar, em poucas horas e no mesmo endereço, criações que, noutros contextos, exigiriam reservas feitas com semanas de antecedência em diferentes bairros da cidade.
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