(AP) - As redes sociais estão repletas de conselhos sobre saúde e bem-estar: alguns seguem tendências, outros são informativos e outros são pura desinformação. E está longe de ser a única pessoa a vê-los.
Um novo inquérito do Pew Research Center concluiu que cerca de 4 em cada 10 adultos nos EUA - e aproximadamente metade das pessoas com menos de 50 anos - obtêm informação de saúde através das redes sociais ou de podcasts.
Os investigadores analisaram também os perfis nas redes sociais de 6.828 influenciadores de saúde e bem-estar com, pelo menos, 100.000 seguidores. Só cerca de 4 em cada 10 referem ter formação como profissionais de saúde.
Cerca de um terço identifica-se como coach, perto de 3 em cada 10 descreve-se como empreendedor e aproximadamente 1 em cada 10 menciona a própria experiência de vida, como ser mãe ou pai.
Apesar da grande diversidade de qualificações, cerca de metade das pessoas que recebe informação sobre saúde e bem-estar de influenciadores afirma que estes as ajudam a compreender melhor a própria saúde. Cerca de um terço diz que não fez grande diferença, enquanto aproximadamente 1 em cada 10 refere ter ficado mais confusa.
Segundo especialistas, algum ceticismo é essencial ao interagir com publicações sobre exercício físico, saúde mental e saúde pessoal. Eis os seus conselhos para se tornar um consumidor mais informado.
Como avaliar as credenciais de um influenciador de saúde
Os especialistas dizem que o principal sinal positivo é conseguir encontrar facilmente as credenciais de um influenciador no respetivo perfil. Desconfie de um “coach” genérico que não consegue comprovar a sua formação.
Courtney Babilya, especialista certificada em exercício clínico e treinadora pessoal, com mais de 430.000 seguidores no Instagram, já observou isso em conteúdos sobre maternidade: “Alguém tem um bebé e, de repente, torna-se coach de gravidez.”
“Temos de ter cuidado com pessoas que tiveram uma experiência numa área e, de repente, passam a ser ‘coach’ desse assunto”, afirmou.
Ser coach é um modelo de negócio, não uma prova de formação. Babilya partilha online a sua experiência pessoal com uma doença crónica, mas separa-a dos seus conselhos profissionais.
“Tem a obrigação de garantir que não está a dar a alguém uma ideia errada nem a divulgar uma mensagem que não será aplicável a todas as pessoas”, afirmou.
Não se deixe levar pelo impacto viral
Se um conteúdo despertar emoções intensas, pare um momento. Para quem não consegue aceder a cuidados de saúde ou sente que os médicos não o ouvem, uma opinião fora do comum pode parecer a resposta procurada há muito. O inquérito do Pew revelou que 53% das pessoas sem seguro de saúde obtiveram informação de saúde nas redes sociais, em comparação com 38% das que tinham seguro.
No entanto, quem procura partilhar boa informação médica online não pretende provocar medo ou espanto, afirmou a Dra. Fatima Daoud Yilmaz, obstetra-ginecologista na Stony Brook Medicine, em Nova Iorque, cuja popular série de vídeos “Feminine Aisle” avalia produtos de farmácia.
Mesmo que a pessoa tenha conhecimentos na área, pergunte-se: estará a falar para além do âmbito daquilo que sabe? O que diz está de acordo com o consenso científico?
“Nem todas as opiniões têm o mesmo valor quando se trata de saúde, medicina ou ciência”, afirmou Daoud.
Babilya acrescentou que é importante estar atento a afirmações exageradas ou definitivas, sobretudo nos primeiros segundos do vídeo, quando os influenciadores tentam captar a atenção a todo o custo.
Para Nedra Glover Tawwab, terapeuta em exercício e autora, uma linguagem pouco categórica é um bom sinal. Nos seus vídeos sobre limites pessoais e saúde mental, usa expressões como “talvez”, “por vezes” e “possivelmente”, em vez de diagnosticar os seus 1,8 milhões de seguidores no Instagram.
Se sentir que encontrou um diagnóstico na internet, isso é um sinal de que deve procurar um profissional, afirmou Tawwab.
Siga o dinheiro dos influenciadores
As pessoas nas redes sociais ganham dinheiro e, para algumas, essa é a sua forma de sustento.
“Isso não significa que toda a informação que divulgam seja tendenciosa, mas deve levar os consumidores dessa informação a encará-la com alguma reserva, porque têm um incentivo financeiro para promover informação deste tipo”, afirmou Daoud.
A plataforma de Babilya é agora o seu emprego a tempo inteiro e uma das formas de sustentar a família. Aceitar parcerias e acordos com marcas não foi uma decisão fácil, mas tornou o seu trabalho sustentável.
Babilya afirmou que dá prioridade à transparência com o público e a assegurar que os seus anúncios estão claramente identificados.
Deixe de percorrer os conteúdos passivamente
Os especialistas recomendam também que pare para verificar as fontes do vídeo. Procure ciência de referência. Babilya alertou que algumas publicações não são bem verificadas e citam estudos que não têm relação com aquilo que o influenciador afirma que demonstram.
Aplique o mesmo critério que utilizaria ao avaliar uma compra online. Observe a conversa mais ampla em torno do conselho, tal como leria avaliações de produtos, recomendou Tawwab.
De acordo com o inquérito do Pew, dois terços dos utilizadores deparam-se simplesmente com estes conteúdos, em vez de os procurarem de forma intencional.
Se quiser controlar o seu feed, terá de investir tempo e esforço contínuo, afirmou Ash Milton, da Universidade do Minnesota, que estuda a forma como os utilizadores lidam com informação online sobre saúde mental.
“É preciso esforçar-se, porque o algoritmo foi concebido para o consumo passivo”, afirmou Milton.
No Instagram, pode usar “Palavras ocultas” e, no TikTok, “Não tenho interesse” para filtrar determinados conteúdos, embora Milton saliente que o TikTok pode não perceber exatamente que elemento do vídeo não lhe interessa. Use a sua própria reação como indicador para limitar conteúdos e pergunte-se: esta informação de saúde é realmente aplicável e útil para a minha vida, ou é apenas algo com que me identifico?
Encontre um médico em quem confie
Antes de agir com base em algo que viu online, confirme-o junto de um profissional de saúde em quem confie.
Os influenciadores podem dizer o que quiserem, enquanto os profissionais de saúde têm responsabilidades éticas e legais pelos seus cuidados e “podem enfrentar consequências profissionais e pessoais pelos conselhos que lhe dão”, afirmou Daoud.
“Em última análise, fale com o profissional de saúde que o conhece”, afirmou.
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