Muitos jardineiros amadores sonham com tomates cheios de aroma colhidos na varanda ou diretamente do canteiro, mas não querem gastar uma fortuna em sementes e plantas jovens. Um especialista britânico em jardinagem mostra agora um método surpreendentemente simples: a partir de um único tomate comprado, é possível fazer nascer um tabuleiro inteiro de novas plantas - usando materiais que existem em quase todas as casas.
Porque é que um único tomate se torna tão interessante
Tomates há em quase todos os frigoríficos: vão para saladas, molhos ou para o pão. O que muita gente não pensa ao cortar um tomate é que cada fruto guarda dezenas de sementes viáveis. Com o aumento dos preços dos alimentos, este detalhe ganha importância: quem reaproveitar tomates de forma intencional pode garantir uma colheita generosa no verão - sem comprar sementes.
O perito em jardinagem Simon Akeroyd, conhecido no Reino Unido, faz isto com um conjunto muito básico: um tomate comum do supermercado e uma caixa de plástico transparente, daquelas embalagens que sobram de uvas, frutos vermelhos ou do próprio tomate. No essencial, é tudo o que precisa para produzir uma boa quantidade de plantinhas.
A ideia: fatias de tomate em vez de sementes de saqueta - restos de cozinha transformam-se em dezenas de pequenas plantas em poucos dias.
Como fazer o truque das fatias de tomate, passo a passo
No fundo, este método não tem nada de “mágico”: usa sementes de tomate normais. A diferença é que as sementes ficam dentro da própria fatia do fruto, em vez de serem retiradas uma a uma. Assim poupa tempo, evita trabalhos minuciosos e dá para fazer com crianças de forma tranquila.
Materiais necessários
- 1 tomate maduro do supermercado (de preferência, não tirado diretamente muito frio do frigorífico)
- 1 caixa de plástico com furos no fundo (por exemplo, uma embalagem de fruta ou de tomates)
- Substrato para sementeira ou terra fina para vasos
- Um borrifador ou um regador pequeno
- Um local claro, numa janela com boa luz ou numa estufa
Instruções: da fatia à “enchente” de plântulas
- Encha a caixa até cerca de dois terços com substrato de sementeira ligeiramente humedecido.
- Corte o tomate em quatro a cinco fatias com cerca de meio centímetro de espessura.
- Disponha as fatias deitadas sobre a superfície da terra, deixando algum espaço entre elas.
- Cubra com uma camada fina de terra - apenas o suficiente para deixar de ver as fatias.
- Regue com cuidado (ou borrife) até ficar tudo uniformemente húmido, mas sem encharcar.
- Coloque a caixa num local quente e luminoso, por exemplo num parapeito de janela ao sol.
Em boas condições, os primeiros rebentos surgem ao fim de cerca de 10 a 14 dias. Muitas vezes, o aspeto é o de um verdadeiro “tapete” de minúsculos tomateiros.
O que se torna essencial depois da germinação
Quando se forma essa “manta verde”, começa a fase decisiva: escolher, no meio de muitas plântulas, as melhores. Quem tenta salvar todas as plantas depressa se complica e acaba por ter tomates mais fracos e mais propensos a doenças.
Selecionar as plantas mais vigorosas
- Espere até os rebentos, além dos cotilédones, desenvolverem as primeiras folhas verdadeiras de tomateiro.
- Selecione apenas plantas firmes e direitas, sem sinais de estiolamento (muito altas e finas).
- Separe as plântulas com cuidado: pegue sempre pela folha, nunca pelo caule.
- Transplante para vasos pequenos com terra pobre em nutrientes e solta, e regue a seguir.
Menos é mais: ao ficar apenas com as plântulas mais fortes, terá plantas mais robustas e uma colheita melhor.
As restantes plantas, mais fracas, podem ficar na caixa e depois seguir para o composto. Assim o trabalho mantém-se controlável e as plantas jovens não ficam demasiado apertadas.
O momento certo na Alemanha, Áustria e Suíça
A recomendação original foi pensada para o clima britânico, mas adapta-se sem dificuldade à Alemanha, à Áustria e à Suíça. O ponto-chave é, acima de tudo, o risco de geada.
| Região | Período de arranque mais favorável | Plantar no exterior |
|---|---|---|
| Oeste e Sul da Alemanha, zonas baixas da Áustria, Suíça | Final de fevereiro a março, numa janela | A partir de meados/finais de maio, após os Santos de Gelo |
| Regiões do Norte e zonas mais elevadas | Março até início de abril | Finais de maio até início de junho |
Os tomateiros são sensíveis ao frio. Por isso, devem ficar em casa ou na estufa até deixar de haver risco de temperaturas negativas. Antes de irem definitivamente para o exterior, ajuda fazer uma fase de “endurecimento”: durante alguns dias, coloque as plantas jovens na rua durante o dia e volte a trazê-las para dentro à noite, para se habituarem ao vento e às variações de temperatura.
Cuidados: de plantas de fatia a tomateiros completos
Depois de instalados no canteiro, no canteiro elevado ou num vaso grande, aplicam-se as mesmas regras de qualquer outro tomateiro.
Local, rega e nutrientes
- Local: o mais soalheiro possível, protegido de chuva constante e de vento forte.
- Rega: manter humidade regular, evitando encharcamento. Idealmente, regar junto ao solo e não por cima das folhas.
- Adubação: ao fim de algumas semanas, apoiar com adubo para tomateiro ou composto bem curtido.
- Tutoragem: usar canas, espirais ou cordas para evitar que as plantas tombem.
Quem cultiva tomateiros de vara deve remover com regularidade os rebentos laterais nas axilas das folhas (desladroar). Isso concentra a energia em poucos ramos e favorece frutos maiores. Os tomateiros arbustivos podem crescer mais para os lados e, em regra, exigem menos desladroamento.
Que tipo de tomate serve para este truque?
Em princípio, qualquer tomate maduro do supermercado pode ser usado. Ainda assim, alguns pormenores aumentam a probabilidade de sucesso:
- Evite, tanto quanto possível, tomates de expositores muito refrigerados - deixe-os primeiro chegar à temperatura ambiente.
- Escolha frutos bem maduros, não muito duros e ainda pálidos.
- Se valoriza manter características de uma variedade específica, prefira uma variedade claramente identificada (por exemplo, tomate em cacho ou tomate tipo Roma) em vez de embalagens mistas sem indicação.
Há um aspeto importante a ter em conta: muitos tomates de supermercado vêm de variedades híbridas. As plantas “filhas” podem não ser iguais à planta original - por exemplo, no tamanho ou no sabor. Para a horta caseira, isso muitas vezes não é um problema; pode ser apenas uma pequena surpresa.
Vantagens, riscos e complementos práticos
O truque das fatias de tomate é perfeito para experimentar o cultivo de legumes em casa sem investir logo em saquetas de sementes e acessórios específicos. Em particular, famílias com crianças costumam gostar, porque o resultado aparece depressa.
Mesmo assim, há alguns pontos onde é fácil falhar: terra demasiado molhada favorece doenças fúngicas, como a chamada doença do tombamento nas plântulas. Por isso, mantenha apenas uma humidade ligeira e assegure boa circulação de ar. Quem vive numa casa com pouca luz pode recorrer a uma lâmpada simples para plantas, para evitar que os rebentos estiolem.
Aliás, o princípio é semelhante com outros legumes e ervas: sementes de pimento ou malagueta, sementes de abóbora-moscada ou até sementes secas de rodelas de pimento numa pizza também podem, em muitos casos, ser postas a germinar. Nem sempre é tão fiável como com tomates, mas pode valer a pena para jardineiros curiosos.
No fim, a conta é simples: um tomate costuma custar menos do que uma saqueta de sementes e, com este método, pode render facilmente uma dúzia (ou mais) de novas plantas. Se lhes der sol, água e alguns cuidados, a recompensa aparece mais tarde no verão - colhida do pé, morna, perfumada e com um sabor bem mais intenso do que grande parte dos tomates do frio do supermercado.
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