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Gastronomia no planeamento de viagem: a influência entre brasileiros

Casal planeia viagem gastronómica com mapa, tablet, telefone e cadernos numa mesa de madeira.

Na escolha de um destino, a gastronomia já surge entre os critérios tidos em conta pelos brasileiros. Um estudo do Melhores Destinos indica que 62% dos entrevistados atribuem algum peso à culinária nessa decisão: para 43%, a comida é um dos pilares da viagem, e 19% afirmam que é o factor determinante.

Além de medir essa influência, o levantamento da plataforma especializada em viagens procurou perceber quais experiências gastronómicas os viajantes consideram indispensáveis, onde vão buscar recomendações e quanto estão dispostos a pagar a mais para comer bem numa viagem de lazer.

O mesmo interesse aparece noutras análises sobre o comportamento dos viajantes. Uma pesquisa da Booking.com, divulgada em julho, mostrou que 90% dos brasileiros consideram que experimentar a cultura gastronómica e a culinária local é uma motivação importante para viajar. O estudo ouviu 32,8 mil pessoas em 34 mercados, incluindo viajantes brasileiros que tinham feito pelo menos uma viagem de lazer nos 12 meses anteriores e planeavam viajar em 2026.

Os resultados não são directamente comparáveis, porque os estudos usam metodologias e perguntas diferentes. Ainda assim, ambos apontam para a mesma tendência: a comida deixou de ser apenas um complemento e passou a entrar de forma activa no planeamento da viagem.

A gastronomia entra no planeamento do itinerário

A influência da culinária pode surgir em várias fases da organização. Há quem escolha primeiro o destino e só depois procure restaurantes e pratos típicos. Noutros casos, a gastronomia aparece ainda antes de o itinerário estar definido e acaba por ajudar a decidir para onde viajar.

A pesquisa da Booking.com indica, por exemplo, que 54% dos viajantes brasileiros que pretendem ter experiências gastronómicas em 2026 querem provar pratos pelos quais os destinos são conhecidos. Outros 52% dizem querer conhecer restaurantes locais e pouco conhecidos dos turistas, enquanto 41% demonstram interesse por restaurantes reputados ou de alta gastronomia.

A procura também não se limita aos restaurantes. Segundo o levantamento, 49% planeiam experimentar comida de rua, bancas e food trucks locais, e 47% querem visitar mercados tradicionais. Já 45% contam passar por supermercados para observar produtos e hábitos alimentares do destino.

Este comportamento aproxima a gastronomia da própria descoberta do lugar: em vez de se concentrarem apenas em espaços já famosos, alguns viajantes procuram produtos, mercados e locais frequentados por quem lá vive.

Quanto vale comer bem durante a viagem?

O estudo do Melhores Destinos analisou ainda quanto os brasileiros aceitam gastar a mais para viver uma experiência gastronómica durante uma viagem de lazer.

O resultado ajuda a perceber o peso da alimentação no orçamento do viajante. Quando a gastronomia é tratada como parte importante do itinerário, a refeição deixa de ser só uma despesa inevitável e passa a disputar o orçamento disponível com outras experiências turísticas.

Esta lógica também se reflecte na escolha dos estabelecimentos. A pesquisa da Booking.com sugere que preferir vivências locais não significa, necessariamente, procurar alternativas mais caras. Entre os brasileiros interessados em experiências gastronómicas em 2026, a maior fatia mostra vontade de ir a restaurantes locais e pouco conhecidos, superando o grupo que pretende dar prioridade à alta gastronomia.

A diferença indica que o valor dado à gastronomia está mais ligado à experiência e à identidade do destino do que apenas ao preço da refeição.

Recomendações ganham importância

Com a gastronomia a ocupar mais espaço no planeamento, cresce também a necessidade de saber, com antecedência, onde comer. Avaliações, redes sociais, sites especializados e sugestões de outros viajantes ajudam a escolher restaurantes e experiências ainda antes do embarque.

Para quem decide o destino tendo em conta a culinária, esta etapa pode ter um peso semelhante ao da pesquisa de hotéis ou de atracções.

É precisamente este comportamento que o Melhores Destinos tenta compreender, ao analisar onde os viajantes procuram recomendações gastronómicas e quais experiências consideram indispensáveis.

A tendência aparece igualmente na preferência por locais menos conhecidos. Segundo a Booking.com, 52% dos brasileiros que planeiam experiências gastronómicas querem descobrir restaurantes autênticos e pouco frequentados por turistas, enquanto 41% tencionam visitar restaurantes reputados ou de alta gastronomia.

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