Uma prática cada vez mais comum nas prateleiras dos supermercados.
A “shrinkflation” já é relativamente conhecida: preços a subir enquanto a quantidade por embalagem diminui. Mas existe outra estratégia, menos falada, chamada “cheapflation”. Em 2024, a ONG Foodwatch denunciou esta abordagem e apontou o dedo a grandes grupos do sector agroalimentar, como Nestlé, Unilever e Mondelez.
Shrinkflation vs. cheapflation na grande distribuição
Enquanto a shrinkflation mexe sobretudo no tamanho do produto, a cheapflation joga com a composição e a qualidade. O resultado, segundo os críticos, é semelhante: o consumidor paga mais e recebe menos - não em gramas, mas naquilo que está dentro da embalagem.
O que é a cheapflation, afinal?
O próprio termo resulta da junção de cheap (mais barato/baixa gama, em inglês) com flation, de inflação. A Foodwatch descreve-a de forma muito explícita como «a degradação da qualidade nutricional de um produto - isto é, do valor energético, do teor de lípidos, de proteínas, de vitaminas - ou da sua qualidade organoléptica ligada ao aspecto, ao gosto e ao sabor, acompanhada pelo aumento do seu preço por litro ou por kg».
Produtos e marcas visados em 2024
Na altura, seis produtos bem conhecidos dos consumidores foram citados: After Eight, Bordeau Chesnel, Findus, Fleury Michon, Maille e Milka. A ONG sustenta que, nestes casos, as empresas reduzem, substituem ou eliminam um ingrediente, trocando-o por outro mais barato ou de qualidade inferior.
Citada pela Franceinfo, Audrey Morice, responsável de campanhas na Foodwatch, lamentava: «Com a ‘cheapflation’, os consumidores e as consumidoras saem a perder a dobrar. As pessoas compram produtos que são piores e pagam-nos mais caro.»
Como é que as marcas respondem às críticas?
As marcas referidas procuraram defender-se e, no ano passado, invocaram o aumento dos custos das matérias-primas. Outros observadores sublinham, porém, que o objectivo será sobretudo manter margens elevadas, garantindo ao mesmo tempo que os preços não disparam em excesso para os clientes. Apesar de polémicas, estas práticas são, ainda assim, legais, de acordo com especialistas jurídicos ouvidos pelo serviço público.
Um exemplo recente de cheapflation
A revista 60 Milhões de Consumidores relatou um caso que classificou como “cheapflation”. Uma cliente comprava habitualmente arroz longo da Camargue “Méditerranée”, uma Indicação Geográfica Protegida (IGP) da marca Taureau Ailé. Durante várias semanas, o produto deixou de aparecer nos supermercados da zona.
Quando voltou às prateleiras, o preço tinha aumentado de forma abrupta: mais 75%, passando para 2,09 euros por 500 gramas. E houve mais: embora a embalagem fosse quase indistinguível da anterior, a origem já não era a mesma. Ao virar o pacote, percebia-se que deixara de ser uma IGP e que o arroz passava a vir de Itália.
Já tinha ouvido falar destas tácticas por parte das grandes marcas do sector agroalimentar? Conte-nos nos comentários.
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