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Descoberta na Dinamarca revela duas garrafas de manteiga de 130 anos numa cave antiga

Jovem a preparar e estudar frascos com líquido amarelo numa sala rústica iluminada pela janela e luz artificial.

Uma descoberta feita numa antiga cave na Dinamarca trouxe à luz duas garrafas de manteiga com 130 anos, guardando indícios valiosos sobre a produção que ajudou o país a tornar-se uma potência mundial na exportação de lacticínios.

Como é que a descoberta revela uma cápsula do tempo da indústria da manteiga?

Investigadores da Universidade de Copenhaga localizaram, numa cave histórica de Frederiksberg, dois frascos que continham um pó branco. Depois de análises laboratoriais, confirmaram que se tratava de uma antiga cultura iniciadora utilizada no fabrico de manteiga no final do século XIX.

O conteúdo manteve-se preservado durante cerca de 130 anos, o que permitiu aos cientistas perceber melhor como se produzia manteiga numa fase determinante para a expansão da indústria de lacticínios dinamarquesa.

A produção de manteiga impulsionou a economia da Dinamarca?

Ao longo do século XIX, a Dinamarca modernizou rapidamente a produção de manteiga, adotando novas técnicas, reforçando as cooperativas e aumentando a escala industrial. O efeito foi um crescimento acentuado das exportações.

Os principais números ilustram bem a importância crescente deste setor:

  • Mais de 10 mil toneladas exportadas para a Inglaterra no início do período.
  • Volume aumentado para cerca de 80 mil toneladas nas três décadas seguintes.
  • Em 1900, a manteiga representava quase metade de todas as exportações dinamarquesas.
  • A pasteurização contribuiu para melhorar a qualidade e prolongar a vida útil do produto.

O que havia dentro das garrafas antigas?

A análise de ADN detetou a presença da bactéria Lactococcus cremoris, ainda hoje usada no fabrico de vários produtos lácteos por favorecer um sabor suave e agradável.

Na altura, o leite era primeiro pasteurizado e, de seguida, recebia esta cultura bacteriana. Esse método permitia obter manteiga com aroma mais consistente e qualidade suficiente para aguentar o transporte até ao mercado inglês.

Análises também revelaram problemas de higiene

Nem tudo o que foi encontrado foi positivo. A equipa identificou microrganismos que sugerem que as condições sanitárias estavam ainda longe dos padrões atuais.

Entre os organismos detetados surgiram a Cutibacterium acnes, comum na pele humana, e a Staphylococcus aureus, bactéria potencialmente associada a doenças. O resultado indica que, nesse período, a higiene nos processos industriais continuava a ter limitações.

Por que razão esta descoberta é importante para a ciência?

Os frascos constituem um raro registo físico das técnicas usadas durante o auge da expansão da manteiga dinamarquesa. Materiais que se conservam por tanto tempo são pouco frequentes e podem revelar informação que nem sempre fica clara nos documentos históricos.

Para além de ajudar a compreender a evolução da indústria alimentar, o estudo mostra como práticas desenvolvidas há mais de um século influenciaram métodos modernos de produção e de controlo de qualidade nos lacticínios.

Qual o impacto na evolução da produção de alimentos?

A descoberta, publicada na International Dairy Journal, sublinha a relevância da arqueologia científica para reconstruir a história da alimentação e da tecnologia aplicada aos alimentos.

Mais do que duas garrafas esquecidas numa cave, este material preserva um retrato da transformação económica da Dinamarca e evidencia como ciência, inovação e desafios sanitários avançaram lado a lado durante o crescimento da indústria da manteiga.


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