Durante muitos anos, Uberaba consolidou a sua imagem ligada ao campo, ao gado zebu e à pujança do agronegócio. No Triângulo Mineiro, a paisagem de grandes propriedades e tradição pecuária começa agora a mostrar outro caminho: o da produção de vinho.
A cerca de 40 quilómetros do centro da cidade, a vinícola boutique Arpuro desenvolve um projecto de pequena escala, orientado para castas de uva associadas à chamada colheita de inverno - uma técnica que tem ganho terreno em várias regiões produtoras do Brasil.
A iniciativa acompanha uma tendência que levou diferentes áreas do interior a tornarem-se novos pólos de enoturismo. Para lá da produção, muitas adegas passaram a desenhar experiências ligadas ao território, aproximando o visitante das etapas de cultivo, vinificação e prova.
A Arpuro nasceu a partir da iniciativa da família Marega, que reconheceu no microclima local condições propícias ao cultivo de uvas destinadas aos vinhos de inverno. O plano ganhou impulso durante a pandemia de covid-19, quando a família decidiu avançar com o investimento. Na altura, para muita gente, a escolha soou a aposta improvável, tendo em conta a tradição agropecuária de Uberaba.
Actualmente, as vinhas reúnem 14 variedades de Vitis vinifera, incluindo Syrah, Sauvignon Blanc, Marselan, Viognier, Chardonnay e Cabernet Sauvignon. Estas uvas dão origem, na própria propriedade, a espumantes, vinhos brancos, rosés e tintos.
Arpuro aposta na técnica da dupla poda
Na Arpuro, a produção recorre à técnica da dupla poda - também conhecida como colheita de inverno - desenvolvida pelo investigador Murillo Regina, da Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais). Este maneio altera o ciclo natural da videira para que a maturação das uvas aconteça na época mais seca do ano, quando a ocorrência de chuva é menor. Adoptada em diferentes regiões produtoras do Brasil, a prática procura favorecer a qualidade da uva destinada à vinificação.
Percorrer as linhas de videiras ajuda a perceber como esse ciclo interfere no cultivo, no maneio das plantas e na forma como factores como solo, altitude e clima acabam por moldar o perfil de cada vinho feito nesta propriedade jovem, fundada em 2021.
Entre as experiências disponíveis na Vinícola Arpuro, destaca-se a prova sensorial orientada, realizada mediante marcação. A actividade custa R$ 420 por pessoa e apresenta os rótulos da casa numa degustação conduzida, com explicações sobre as castas cultivadas, o processo produtivo e as características de cada vinho.
Da taça ao copo
Se os vinhedos revelam um novo lado do campo em Uberaba, a cidade oferece também outra experiência associada à produção de bebidas. O Beer Tour da fábrica do Grupo Petrópolis convida os visitantes a conhecerem por dentro a unidade mais recente da empresa, apontada como a mais moderna da América Latina.
O complexo ocupa 108 000 m², e o percurso apresenta as fases da produção de cerveja, desde a escolha dos ingredientes até ao enchimento final. Ao longo da visita, o público fica ainda a conhecer testes com plantações locais de lúpulo, usadas em investigações relacionadas com o processo de fabrico.
A visita guiada explica o funcionamento da unidade industrial (algumas áreas não podem ser filmadas nem fotografadas) e apresenta marcas produzidas ali, como Petra, Itaipava, Cacildis e Black Princess. Um dos pontos do roteiro é provar a cerveja antes da etapa de pasteurização, permitindo experimentar a bebida numa fase anterior à finalização do processo.
O passeio termina com uma degustação de cervejas acompanhada de petiscos. A actividade é gratuita e decorre em horário laboral, de segunda a sexta-feira, das 14h às 16h30. As visitas são feitas mediante marcação prévia, com grupos entre 20 e 40 participantes. As vagas são limitadas e podem também ocorrer em datas específicas ou em edições comemorativas.
Para informações sobre agendamento de grupos ou próximas datas, o mais indicado é acompanhar os canais oficiais do Grupo Petrópolis ou contactar (34) 98420-6813.
Onde ficar em Uberaba (MG)
O Hotel Tamareiras está entre os hotéis mais tradicionais de Uberaba. Situado no centro da cidade, o complexo reúne duas unidades - o Tamareiras Park Hotel e o Tamareiras Prime Hotel - correspondendo, respectivamente, à ala histórica e à ala mais recente.
O Tamareiras Park Hotel conserva a arquitectura clássica do espaço e mantém um jardim com tamareiras trazidas do Oriente em 1941. A unidade funciona como anexo de uma mansão em estilo mouro-florentino que recebeu o ex-presidente Getúlio Vargas no século passado. O hotel regista ainda a passagem de outras figuras da política brasileira, como o ex-presidente Juscelino Kubitschek, além de artistas e personalidades que estiveram na cidade.
A infra-estrutura do complexo inclui piscina exterior, sauna seca e a vapor, banheira de hidromassagem e sala de jogos com bilhar. Disponibiliza também Wi-Fi gratuito de alta velocidade em todas as áreas, ginásio equipado, business center, salas de reuniões e estacionamento gratuito.
Na componente gastronómica, o pequeno-almoço em formato buffet está incluído na diária e reúne opções de inspiração mineira. O empreendimento integra ainda o Restaurante Tamareiras, com serviço à la carte e piano-bar.
No Tamareiras Park Hotel, as diárias vão de R$ 274 para a suite individual a R$ 440 para a suite de casal superior. No Tamareiras Prime Hotel, os valores ficam cerca de R$ 100 acima. Em ambas as unidades, as tarifas podem ser negociadas consoante o período da estadia.
O jornalista viajou a convite da Latam Airlines Brasil, da Associação Geoparque Uberaba e da Prefeitura Municipal de Uberaba
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