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Caranguejo chinês invasor: como se adapta e que impactos causa

Jovem com luvas observa caranguejo junto a lago, com bloco de notas e equipamentos ao lado.

O caranguejo chinês invasor consegue manter-se em rios, canais, estuários e águas salobras ao longo de diferentes etapas do seu ciclo de vida. Conhecido pelo nome científico Eriocheir sinensis, este crustáceo alimenta-se de plantas aquáticas, detritos, invertebrados e ovos de peixes, além de disputar alimento e refúgio com a fauna nativa dos locais que passa a ocupar.

Por que esse crustáceo se adapta a tantos ambientes?

Embora passe grande parte da vida em água doce, a espécie desloca-se para zonas salobras ou marinhas quando chega a altura de se reproduzir. Esta aptidão para alternar entre diferentes graus de salinidade torna mais fácil a sua expansão por bacias hidrográficas ligadas a estuários.

Há ainda outros traços que favorecem a colonização de novos territórios:

  • tolerância a várias temperaturas e a diferentes condições da água;
  • capacidade de se deslocar em terra para ultrapassar certos obstáculos;
  • dieta diversificada, que se altera consoante a idade;
  • fêmeas capazes de transportar centenas de milhares de ovos.

O que o caranguejo chinês invasor encontra para comer nos rios?

O caranguejo chinês invasor é omnívoro e oportunista. O que come pode incluir algas, plantas aquáticas, matéria orgânica em decomposição, pequenos crustáceos, moluscos, larvas, ovos de peixes e outros organismos presentes no fundo dos rios.

Os exemplares mais jovens tendem a ingerir mais vegetação e detritos, ao passo que os adultos podem acrescentar uma proporção maior de invertebrados à alimentação. Quando as populações são grandes, esta pressão diminui os recursos disponíveis para peixes, lagostins e outras espécies locais.

Como a presença do invasor afeta a fauna nativa?

Os efeitos não se limitam à predação direta. Ao explorar as mesmas fontes de alimento e ao usar os mesmos esconderijos, o crustáceo interfere nas relações entre espécies e pode alterar as comunidades que vivem no sedimento.

  • diminui as populações de alguns macroinvertebrados aquáticos;
  • consome ovos e juvenis de peixes;
  • compete com crustáceos nativos, incluindo espécies raras;
  • modifica a cadeia alimentar quando surge em grande quantidade.

As escavações também provocam danos nas margens

Para além de pressionar a biodiversidade aquática, a espécie escava tocas profundas para se abrigar. Se muitos indivíduos escavarem no mesmo troço, o sedimento é removido e as margens podem perder estabilidade.

Estes túneis favorecem a erosão, fragilizam diques e taludes e podem afetar sistemas de irrigação ou de captação de água. Em migrações com muitos animais, podem também entrar em redes, danificar equipamentos de pesca e bloquear estruturas hidráulicas.

O que fazer ao encontrar essa espécie fora de sua área natural?

O animal não deve ser transportado vivo, libertado noutro rio ou mantido sem orientação das autoridades ambientais. Fotografar o exemplar, registar o local e comunicar a ocorrência aos responsáveis ajuda especialistas a confirmar a identificação e a acompanhar possíveis focos de invasão.

Depois de uma população começar a reproduzir-se, controlar o caranguejo chinês invasor torna-se difícil. A prevenção assenta na monitorização de embarcações, águas de lastro, canais e bacias ligadas entre si, evitando que um único crustáceo introduzido abra caminho a alterações duradouras na fauna e nas margens dos rios.

O perfil oficial da espécie foi publicado pela Base de Dados Global de Espécies Invasoras (GISD)


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