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Adoçantes de baixa caloria: estudo da Universidade de Adelaide avalia efeitos no metabolismo e na diabetes

Investigador com bata branca segura copo com bebida e gelo numa sala de laboratório com computador e equipamento.

Os adoçantes de baixa caloria fazem parte do dia a dia de milhões de pessoas que procuram cortar no açúcar, gerir o peso ou manter os níveis de glicose estáveis. Ainda assim, uma investigação recente na Austrália quer responder a uma dúvida que tem ganho força na comunidade científica: até que ponto estes substitutos do açúcar são, de facto, tão inofensivos como parecem?

Investigadores da Universidade de Adelaide, na Austrália, começaram a recrutar voluntários para um estudo que irá analisar de que forma os principais adoçantes consumidos no mundo actuam no organismo humano. O objectivo é perceber se estas substâncias podem afectar o sistema que regula a glicose e, potencialmente, contribuir para o desenvolvimento de diabetes.

A equipa vai avaliar cinco dos adoçantes mais comuns na actualidade: aspartame, estévia, sucralose, sacarina e acessulfame de potássio. Estes ingredientes surgem numa grande variedade de produtos consumidos diariamente, como refrigerantes, bebidas sem açúcar, iogurtes, sobremesas e alimentos industrializados.

O que os cientistas querem descobrir

O estudo irá centrar-se em compreender como estes adoçantes interagem com órgãos essenciais no controlo do açúcar no sangue - nomeadamente o intestino, o pâncreas e os rins. Em paralelo, os investigadores pretendem ainda observar possíveis efeitos na microbiota intestinal, o conjunto de microrganismos associado a um papel relevante na saúde metabólica.

De acordo com o investigador Tongzhi Wu, professor associado na Universidade de Adelaide, clarificar estas interacções pode apoiar a criação de orientações nutricionais mais seguras e mais eficazes para a população.

Embora os adoçantes tenham sido desenvolvidos para proporcionar sabor doce sem as calorias do açúcar convencional, trabalhos científicos mais recentes têm levantado questões sobre eventuais efeitos metabólicos a longo prazo. Alguns estudos apontam que certas substâncias podem influenciar hormonas ligadas ao apetite, à digestão e ao controlo da glicose.

A ciência ainda busca respostas

Os especialistas sublinham que os adoçantes autorizados para consumo continuam a ser considerados seguros quando utilizados dentro dos limites definidos pelas entidades reguladoras. Ainda assim, isso não significa que todos os seus efeitos metabólicos estejam já completamente esclarecidos.

Para os cientistas envolvidos nesta investigação, é essencial distinguir entre a segurança toxicológica de uma substância e o seu possível impacto em mecanismos complexos do metabolismo humano.

Chris Rayner, também investigador no projecto, destaca que muitas pessoas encaram os adoçantes como uma simples substituição do açúcar. No entanto, o funcionamento do corpo é bastante mais complexo.

Segundo o investigador, apesar de estes produtos poderem ajudar a reduzir a ingestão de açúcar e de calorias, continuam a faltar respostas conclusivas sobre o que acontece ao metabolismo com o seu consumo ao longo de anos.

Diabetes e excesso de peso

Este trabalho ganha ainda maior importância perante o aumento global da diabetes tipo 2. O excesso de peso é um dos principais factores de risco para a doença, razão pela qual muitas pessoas recorrem aos adoçantes na tentativa de melhorar a alimentação.

Os resultados poderão clarificar se determinados adoçantes afectam o controlo da glicose de formas distintas e se algumas substâncias têm efeitos específicos sobre certos órgãos e processos metabólicos.

Se forem detectadas alterações relevantes, as conclusões poderão apoiar novas estratégias de prevenção e controlo da diabetes e ajudar a orientar recomendações nutricionais futuras assentes em evidência científica mais robusta.

Entretanto, os especialistas reforçam que manter uma alimentação equilibrada, rica em alimentos naturais e pouco processados, continua a ser uma das ferramentas mais importantes para proteger a saúde metabólica.

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