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Uber adquire a alemã Delivery Hero para liderar entregas fora da China

Duas pessoas a cumprimentar-se com aperto de mão num escritório moderno com laptops e tablets sobre a mesa.

A Uber vai adquirir a alemã Delivery Hero. A ambição do gigante norte-americano é criar a maior plataforma de mobilidade e entregas fora da China.

A Uber confirmou esta quinta-feira, 16 de julho, uma proposta de aquisição da Delivery Hero, empresa alemã. O grupo norte-americano de TVDE oferece 41,50 euros por ação, atribuindo à companhia uma avaliação de cerca de 12,7 mil milhões de euros. Este valor representa um prémio de aproximadamente 34% face à média da cotação bolsista dos últimos três meses.

A empresa não parte do zero nesta operação: já possui quase 25% da Delivery Hero, além de instrumentos financeiros que lhe permitem aceder a mais cerca de 11,8%. A Prosus, acionista de longa data da Delivery Hero, concordou em entregar toda a sua participação à oferta. Quando a transação estiver concluída, a Uber deterá assim perto de 53% do capital.

Para reduzir os riscos concorrenciais, uma parte da Delivery Hero será alienada numa operação distinta. O fundo nova-iorquino SSW Partners vai comprar as atividades em 14 mercados, incluindo a Turquia e vários países europeus, por cerca de 1,4 mil milhões de euros. A finalidade é diminuir as áreas em que a Uber Eats e a Delivery Hero já concorrem diretamente.

Delivery Hero: quem é o grupo alemão?

Criada em Berlim em 2011, a Delivery Hero começou por se dedicar à entrega de refeições ao domicílio. Atualmente, o grupo está presente em cerca de 60 países distribuídos por quatro continentes. A sua particularidade reside num modelo de empresa-mãe que reúne marcas locais, em vez de operar através de uma única aplicação global:

  • Médio Oriente: talabat (Barém, Egito, Iraque, Jordânia, Kuwait, Omã, Catar, Emirados Árabes Unidos), Hungerstation (Arábia Saudita)
  • Ásia: foodpanda (Bangladexe, Camboja, Hong Kong, Laos, Malásia, Mianmar, Paquistão, Filipinas, Singapura), Baedal Minjok, Baemin (Coreia do Sul)
  • Europa: Glovo (presente em cerca de 20 países, incluindo Itália, Polónia, Roménia, Espanha e Portugal), foodora (Áustria, República Checa, Noruega, Suécia, Hungria), efood (Grécia), Foody (Chipre), Yemeksepeti (Turquia)
  • América Latina: PedidosYa (Argentina, Chile, Equador, Peru e cerca de uma dezena de outros países)

Porque é que a compra da Delivery Hero altera o mercado

Com esta aquisição, a Uber passa a controlar marcas com forte implantação nos respetivos mercados. Isto permitirá ampliar a sua rede de entregas e formar, juntamente com a Delivery Hero, a maior plataforma de mobilidade e entregas fora da China, com presença em 99 países.

A operação surge num setor que atravessa uma fase intensa de consolidação. No ano passado, a Prosus adquiriu a Just Eat Takeaway por 4,1 mil milhões de euros, enquanto a DoorDash comprou a Deliveroo por 2,9 mil milhões de libras. Perante um número reduzido de gigantes norte-americanos e europeus, torna-se cada vez mais difícil para os intervenientes isolados manterem peso no mercado.

Rentabilidade e análise dos reguladores

A Delivery Hero procurava precisamente um novo impulso, depois de anos sob pressão dos acionistas para melhorar a rentabilidade. «Juntar-se a um parceiro sólido é hoje a escolha certa para garantir a nossa competitividade futura», considera Kristin Skogen Lund, presidente do conselho de supervisão do grupo alemão.

Falta ainda obter a aprovação dos reguladores. O calendário divulgado, que aponta o fecho para 2027, sugere uma análise rigorosa. Ainda assim, a Uber assumiu alguns compromissos para tranquilizar no plano laboral: a sede da Delivery Hero em Berlim será mantida, sem cortes de pessoal, pelo menos até 2029. O grupo compromete-se igualmente a investir 2 mil milhões de euros na Alemanha nos próximos 5 anos.

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