Entregar refeições em arranha-céus cheios pode transformar-se numa verdadeira corrida de obstáculos. Na China, há estafetas que se especializaram precisamente nesta nova tarefa.
Em Shenzhen, na China, o arranha-céus SEG Plaza tem cerca de 70 pisos e alberga os escritórios de milhares de empresas. À hora de almoço, porém, a situação torna-se particularmente complicada: a espera por um elevador pode chegar aos 30 minutos. Para os estafetas que levam refeições aos trabalhadores, e que recebem por encomenda, este atraso é um enorme problema.
Entregas de refeições no SEG Plaza
Para contornar este desafio logístico, há mensageiros permanentemente posicionados à entrada da torre. Assim que chega um estafeta, levantam a mão, recebem a mala térmica e perguntam para que piso se destina a encomenda. O estafeta pode então partir de imediato para a entrega seguinte.
O pagamento é efectuado em poucos segundos através de um código QR que cada mensageiro traz ao pescoço: cerca de 2 yuanes, ou aproximadamente 0,28 dólares, por cada saco. Cabe-lhes depois abrir caminho entre os elevadores lotados, concluir a entrega, voltar a descer e repetir todo o processo.
O modelo revelou-se um verdadeiro sucesso e foi impulsionado pelo crescimento das entregas durante a pandemia. A prática já se estendeu a outros edifícios da metrópole.
Reformados e jovens nas entregas
Esta actividade invulgar é sobretudo desempenhada por dois tipos de pessoas, entre os quais os reformados. Na China, a idade de reforma pode ser fixada nos 50 anos em determinadas profissões, deixando muitas pessoas com tempo livre. Fazer entregas permite-lhes manterem-se activos e reforçarem o orçamento no fim do mês. Também os adolescentes durante as férias escolares recorrem a esta actividade para obter algum dinheiro de bolso.
No verão, vídeos que se tornaram virais mostraram jovens a disputar encomendas diante de uma torre. Levados pelos pais, procuravam ter um primeiro contacto com o mundo do trabalho durante as férias. Por motivos de segurança, as autoridades locais acabaram por proibir a participação destes jovens, sinal de que esta ocupação informal ganhou dimensão suficiente para chamar a atenção dos poderes públicos.
Em média, ganham 14 dólares por dia, um valor bastante inferior ao salário médio do sector privado em Shenzhen, mas suficiente para este público, que procura sobretudo um rendimento complementar e não um ordenado completo.
Intermediários entre estafetas e clientes
No meio desta multidão de mensageiros independentes, alguns acabaram por assumir a função de intermediários. Instalados há vários anos em locais estratégicos, tornaram-se figuras conhecidas e de confiança para os estafetas. Alguns chegam a contratar uma dezena de mensageiros e cobram uma pequena comissão por cada saco que redistribuem.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário