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Lara by Vítor Matos em Vila Real: menus Raízes e Terra Mãe

Chef a servir pratos gourmet numa mesa onde dois convidados aguardam numa sala acolhedora.

Chegada ao Lara by Vítor Matos, em Vila Real

Ao chegar ao número 43 da Avenida Cidade de Orense, em Vila Real, há apenas um sinal discreto a confirmar que é ali: uma pequena placa, decorada com borboletas, onde se lê Lara by Vítor Matos. Trata-se do primeiro restaurante em nome próprio do multipremiado chef, distinguido na edição de 2026 do Guia Boa Cama Boa Mesa como Chef do Ano, e detentor de um total de seis estrelas Michelin.

Quem recebe é Inês Matos, de 23 anos, também diretora do restaurante. Abre a porta com um sorriso e dá o mote para o que se segue: “bem-vindos ao Lara”.

Ambiente, serviço e a ideia de “casa” no Lara by Vítor Matos

Depois de atravessar as cortinas verdes da entrada, revela-se um espaço singular: sofisticado e elegante, com um lado luxuoso bem medido, sem excessos, e uma sensação clara de conforto. À chegada, espera uma taça de champanhe - um gesto de boas-vindas do chef, que explica querer que os clientes, “mal cruzem a porta, sintam que estão em casa. Este é um restaurante familiar, e queremos que as pessoas se sintam bem acolhidas”.

Antes da sala principal, um balcão de finalização introduz o percurso até às sete mesas disponíveis, pensadas para um total de 14 pessoas, e até um segundo balcão, onde serão servidas as bebidas de harmonização ao longo do jantar.

Este é o primeiro projeto concebido e vivido em família, reunindo o chef, a mulher e a filha numa mesma visão de hospitalidade e afeto. Vítor Matos admite que não é simples resumir o conceito: “é muito difícil definir, mas a palavra-chave é cozinha feita com amor e paixão”. Apesar de assumir a linguagem de alta gastronomia na decoração e no serviço, insiste na dimensão íntima: “é um restaurante familiar, com cozinha de sabor, da avó, onde toda a gente faz parte da mesma matilha, não deixando ninguém de fora”. E acrescenta ainda: “já existem milhares de projetos onde a preocupação principal é sempre o ego do chef. Aqui não temos esta pretensão. Só queremos que as pessoas se sintam em casa”.

“Raízes” e “Terra Mãe”

No Lara by Vítor Matos, os menus mudam com frequência, sempre dependentes da sazonalidade e do que chega dos mercados. “Uma semana podemos ter favas, na outra ervilhas ou espargos, mas só os servimos se forem os melhores e estiverem na sua época. Não vamos servir tomate “Coração de Boi” fora da época, ou morangos e outros produtos”.

No menu de degustação “Raízes” (€110), apresentado como “Uma viagem autêntica”, a sequência arranca com “Sapateira da Costa Vicentina”, com melancia, laranja e vermute; segue para “Vitela Maronesa DOP” com queijo Terrincho, azeitona e pimento; e inclui “Fígado de bacalhau fumado”, com cebola tenra, torresmos, gema e funcho.

Depois chega o “Pão massa mãe e o nosso folar”, acompanhado por dois azeites à escolha entre 15 disponíveis, além de manteiga Marinhas. A prova avança com “Atum patudo dos Açores”, com tomate, leitelho, capuchinha e caviar Oscietra - o único produto não português presente na ementa -, abrindo caminho ao “Cachaço do bacalhau”, com sames, ervilhas, salsa e berbigão. Nas carnes, surge “Frango biológico”, servido com limão confitado, salva e alho, espargos e batata. A seguir, há “Carro de queijos nacionais” e, para fechar, “Fartura das festas de junho”, com morangos e pau de canela. A harmonização vínica custa (€65).

Além do alinhamento anterior, o menu de degustação “Terra Mãe” (€160) acrescenta “Gamba vermelha do Algarve”, com molho de cabeças, citronela e caril de coentros; “Sarda dos Açores”, com escabeche, mexilhões e plâncton; e “Lúcio-perca do rio Douro”, acompanhada de cenoura algarvia, enguia fumada e maçã. Inclui ainda “Queijo Ilha São Jorge 24 meses”, com cogumelos, toucinho bísaro e gema de ovo e café, e “Vaca maturada”, com carolino, favas, chouriço alentejano e tomate. A harmonização vínica custa (€135).

Um projeto familiar e pessoal

Vítor Matos assume que este é, de todos os projetos que lidera, o mais íntimo e pessoal. Diz também querer que o restaurante funcione como “um palco de produtos locais e regionais, que se estende ao resto do país”. Para lá da carta de azeites, existe uma carta de chás com 13 referências e, ainda, seis opções de cafés e infusões à escolha. A garrafeira reúne 1 786 referências de várias origens, somando mais de 400 vinhos licorosos. O chef sublinha, por fim, a ambição de longo prazo: é um projeto “para deixar um legado, não quero deixar para as gerações futuras um guacamole ou sashimi”.

Sobre o percurso e os espaços que lhe valeram seis estrelas Michelin, Vítor Matos admite estar “cansado. Não sei se conseguirei aguentar tudo isto” e garante que anunciará uma decisão até ao fim do ano. Para já, conquistar uma estrela Michelin para este restaurante não entra nos planos: “não comuniquei, nem vou comunicar a abertura ao guia”.

O Lara By Vítor Matos (Avenida Cidade de Orense, Bloco J, 47 Loja 43, Vila Real. Tel. 926719268) funciona de segunda a sábado, apenas ao jantar, das 19h00 às 22h00. A reserva é obrigatória.

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