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Milka apanhada em shrinkflation: tribunal de Bremen obriga Mondelez a avisar

Mulher segura duas barras de chocolate Milka numa loja, com prateleiras de produtos ao fundo.

A marca bem conhecida foi apanhada a fazer batota: ao que tudo indica, a marmota já não põe tanto chocolate no papel de alumínio como antigamente.

Milka e Mondelez International: quem está por trás da marca

A Milka nasceu na Alemanha, mas desde 2012 pertence ao gigante alimentar Mondelez International. Trata-se de um peso-pesado do sector, que também detém outras marcas de chocolate (Côte d’Or, Toblerone e Cadbury) e de bolachas (Oreo, Petit Beurre, Prince, Granola, Mikado, BelVita) e que, em 2025, apresenta um volume de negócios líquido de cerca de 38,5 mil milhões de dólares.

A tablete Milka Lait Alpin encolheu e ficou mais cara

Nada disto impediu o grupo de tentar uma pequena manobra à custa dos consumidores, cortando num dos seus produtos mais reconhecidos: a tablete Milka Lait Alpin, que passou de 100 para 90 gramas - na prática, menos 1 milímetro de espessura. Esta “dieta” veio ainda acompanhada por uma subida de preço de 1,49 para 1,99 euros nas prateleiras das lojas na Alemanha.

O caso chegou ao tribunal de Bremen, na sequência de uma queixa apresentada pelo organismo de protecção dos consumidores de Hamburgo. A decisão foi clara: não indicar a alteração na embalagem configura uma prática enganosa, suficiente para condenar a empresa. Um exemplo descarado de shrinkflation, cada vez mais comum entre marcas alimentares.

Milka: quando a marmota é apanhada em flagrante

Como já se percebeu, a redução não vinha assinalada na embalagem e, para se defender, a Mondelez ainda alegou que a informação estava disponível no seu site oficial e nas redes sociais. Se o consumidor se sente lesado, então talvez tenha cometido o erro de olhar para o produto na prateleira, em vez de fazer scroll no TikTok ou no Instagram da marca: faz todo o sentido, não é?

O tribunal de Bremen não aceitou essa justificação e aplicou uma sanção que, ainda assim, foi relativamente branda: a Milka foi apenas obrigada a incluir uma menção obrigatória nas tabletes, dando tempo aos compradores para se habituarem aos 10 gramas “perdidos”. Não foi determinada qualquer multa nem recolha do produto: a empresa acabou por sair pouco penalizada.

O precedente Toblerone e o pano de fundo do preço do cacau

Até porque a Mondelez International já tinha ido parar ao banco dos réus por tentar sacar mais alguns cêntimos através de outras marcas do portefólio. Um dos exemplos mais falados é o da Toblerone, em 2016, quando a empresa optou por aumentar os espaços entre os triângulos de chocolate em vez de subir o preço das barras, reduzindo a quantidade de chocolate sem mexer na embalagem nem no valor apresentado. A pressão mediática foi tão forte que levou a marca a recuar dois anos depois: em 2018, voltou ao formato original.

Sem que isto sirva para desculpar o grupo americano, é verdade que o preço do cacau disparou, sobretudo por causa de colheitas muito fracas na Costa do Marfim e no Gana. São dois países que concentram mais de metade da produção mundial e abastecem as grandes marcas do sector. Ainda assim, isso não justifica enganar quem compra - e, na Alemanha, os consumidores acabaram por obter uma vingança simbólica. A tablete Milka foi eleita "embalagem enganosa do ano de 2025": quem procura, encontra.

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