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Água com gás pode reduzir a fadiga mental em eSports após 3 horas

Jovem a jogar videojogos em computador com dois ecrãs, segurando copo de água num ambiente claro.

Ao fim de três horas a jogar, muitos jogadores sentem que a cabeça começa a “embaciar”. As decisões tornam-se mais lentas, os erros aparecem com mais facilidade e, embora continuem a jogar, já não estão tão lúcidos.

Um novo estudo aponta para uma solução simples que pode ter um efeito maior do que o esperado: beber água com gás em vez de água sem gás.

A investigação foi conduzida por uma equipa que quis perceber se a carbonatação, por si só - sem cafeína nem açúcar - consegue atenuar a fadiga mental que se acumula durante sessões prolongadas de eSports.

Liderado pela Universidade de Tsukuba, o trabalho insere-se num esforço mais amplo para encontrar alternativas mais seguras às bebidas energéticas quando é necessário manter a concentração durante muito tempo.

Porque é que a água com gás foi testada

A fadiga cognitiva em eSports não é apenas “estar cansado”. Pode traduzir-se numa quebra do controlo executivo: decisões mais lentas e menos precisas e menor capacidade para ignorar distrações.

Para compensar, muitos jogadores recorrem a café, bebidas energéticas ou refrigerantes açucarados - mas o consumo frequente e em excesso levanta preocupações de saúde reais, incluindo maior risco de obesidade e diabetes.

A água com gás fica numa espécie de zona intermédia. Não tem açúcar nem cafeína, mas provoca uma sensação distinta na garganta - aquilo que algumas pessoas descrevem como uma “mordida”.

Os investigadores defendem que esta estimulação sensorial pode ativar vias associadas ao controlo executivo, ajudando potencialmente os jogadores a manterem-se mais organizados mentalmente, sem as desvantagens metabólicas típicas das bebidas estimulantes.

Como foi desenhada a experiência

O estudo recorreu a um desenho cruzado aleatorizado com 14 jovens adultos. Cada participante realizou duas sessões separadas de futebol virtual, com três horas de duração cada.

Num dos dias beberam água com gás e, noutro, água sem gás. Como as mesmas pessoas passaram pelas duas condições, a comparação fica mais limpa do que se fossem avaliados dois grupos diferentes.

Em vez de se limitarem a perguntar “sentiu-se cansado?”, os investigadores acompanharam sinais que tendem a mudar quando a mente começa a ceder. Monitorizaram continuamente o diâmetro da pupila e a frequência cardíaca.

De hora a hora, os participantes classificaram o nível de fadiga e o quanto estavam a gostar do jogo. Para avaliar a função executiva, foi usada uma tarefa flanker - um teste clássico de controlo da atenção em que é preciso responder rapidamente a um alvo central enquanto se ignoram pistas distratoras laterais (“flankers”) que podem entrar em conflito.

Também foram feitas medições periódicas de glicose intersticial e de cortisol salivar, para verificar se as bebidas alteravam padrões de açúcar no organismo ou aspetos fisiológicos associados ao stress.

Água com gás e desempenho

Os resultados foram bastante consistentes. Em comparação com a água sem gás, a água com gás atenuou o aumento da fadiga subjetiva ao longo das três horas.

Enquanto bebiam água com gás, os jogadores também referiram maior prazer durante a sessão - um dado curioso, já que, em tarefas longas, fadiga e diversão costumam evoluir em sentidos opostos.

A avaliação da função executiva foi coerente com estes relatos. Na tarefa flanker, o desempenho foi superior com água com gás, sugerindo que a atenção e o controlo inibitório se mantiveram em melhor forma à medida que a sessão avançava.

Em termos práticos, isto aponta para menos “deslizes mentais”: momentos em que se reage por impulso ou em que se tem mais dificuldade em filtrar distrações.

Sinais de fadiga mental

Os dados pupilares apoiaram a mesma interpretação. A água com gás reduziu a constrição da pupila em comparação com a água sem gás.

Isto é relevante porque o diâmetro pupilar é frequentemente usado como uma janela para a atenção e o esforço cognitivo.

Neste estudo, uma maior constrição da pupila esteve associada a respostas mais lentas na tarefa flanker. Ou seja, quando os olhos mostravam uma assinatura mais forte de “fadiga”, o cérebro também tendia a reagir mais devagar num teste concebido para medir o controlo executivo.

Por outras palavras, o tamanho da pupila funcionou como um marcador simples de fadiga cognitiva, e a água com gás pareceu impedir que esse marcador evoluísse no sentido indesejado.

Estimulação sensorial sem stress

Se a água com gás estivesse a atuar como um estimulante clássico, seria expectável ver diferenças na frequência cardíaca, no cortisol ou na glicose.

No entanto, essas medições foram, de forma geral, semelhantes nas duas condições. A frequência cardíaca não se afastou de forma relevante. A glicose intersticial não se alterou. O cortisol também se manteve próximo.

E é precisamente isto que torna o resultado apelativo: sugere que o efeito não vem de um “choque” fisiológico ao estilo da cafeína, nem de um pico de energia impulsionado por açúcar.

Em vez disso, aponta para um mecanismo mais subtil: uma estimulação sensorial que ajuda a sustentar a atenção e o controlo, sem mexer de forma significativa com os sistemas de stress ou metabolismo do corpo.

O efeito no jogo que mais se destacou

As métricas de jogabilidade mantiveram-se, na sua maioria, estáveis entre condições. O estudo não encontrou diferenças marcantes em medidas de desempenho ofensivo ou defensivo.

Ainda assim, houve um aspeto que mudou: os jogadores que beberam água com gás cometeram menos faltas.

Este pormenor é interessante porque as faltas podem refletir quebras de julgamento, de timing e de controlo de impulsos. Se a função executiva se preserva melhor, um jogo mais “limpo” é exatamente o tipo de melhoria que se esperaria ver primeiro.

A ideia não é que a água com gás faça alguém marcar mais. Pode simplesmente ajudar a manter a compostura necessária para evitar erros desnecessários.

Formas saudáveis de lidar com a fadiga mental

Isto não é um grande ensaio clínico. A amostra é pequena e o contexto é controlado. Além disso, não é possível cegar totalmente os participantes quanto a água com gás versus água sem gás, pelo que efeitos de expectativa são sempre uma possibilidade.

Ainda assim, o estudo tem um mérito importante: isola a carbonatação sem acrescentar cafeína, açúcar ou outros ingredientes ativos. Assim, o sinal torna-se mais fácil de interpretar.

A investigação também levanta uma questão prática e muito atual: se as sessões longas de jogo vão continuar a ser normais para milhões de pessoas, quais são as formas mais saudáveis de gerir a fadiga mental?

Na cultura dos jogos, a resposta padrão tem sido “pega numa bebida energética”. Este trabalho sugere que pode haver ferramentas mais suaves que ajudam sem arrastar os mesmos custos para a saúde a longo prazo.

Sentir-se mais desperto sem a quebra

A água com gás não substitui sono, pausas, boa alimentação ou hábitos de treino inteligentes. Ainda assim, neste estudo, ajudou os jogadores a sentirem menos fadiga e a desfrutarem mais das sessões.

Além disso, a água carbonatada apoiou uma melhor função executiva durante três horas de eSports, sem alterar os níveis de frequência cardíaca, glicose ou cortisol.

Para quem procura algo com sensação “ativadora” durante sessões prolongadas, mas quer evitar açúcar e cafeína, os resultados sugerem que a carbonatação pode ser mais do que uma preferência - pode mesmo estar a fazer algo útil.

O estudo foi publicado na revista Computers in Human Behavior Reports.

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