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Abacate e manga na pré-diabetes: impacto na saúde do coração

Pessoa a cortar abacate numa tábua de madeira, com medidor de glicose e smoothie verde na bancada.

A maioria das pessoas tenta incluir algum tipo de fruta na alimentação - e faz bem. Ainda assim, investigação recente indica que duas frutas, em particular, podem ter um papel relevante na saúde cardiovascular global.

Com essa hipótese em mente, uma equipa de investigadores testou uma ideia simples: o que acontece quando pessoas com problemas cardíacos e/ou pré-diabetes acrescentam duas frutas específicas ao dia a dia, sem mexer em mais nada?

Abacates e mangas

Adultos com pré-diabetes foram divididos em dois grupos. Um deles, designado grupo Abacate-Manga (AM), passou a incluir diariamente, durante oito semanas consecutivas, um abacate Hass médio e uma chávena de manga fresca, integrados nas refeições e nos lanches.

O outro grupo manteve um consumo calórico semelhante, mas em vez de abacates e mangas optou por alimentos de base mais rica em hidratos de carbono.

Os participantes não receberam instruções para emagrecer e também não alteraram as rotinas de actividade física. Na prática, a única diferença real entre os grupos foi a adição dessas duas frutas.

No final das oito semanas, os investigadores colocaram os resultados lado a lado - e o grupo que consumiu fruta apresentou vantagem em vários indicadores de saúde cardiovascular.

Números que chamam a atenção

A função dos vasos sanguíneos é avaliada através da dilatação mediada por fluxo (FMD). De forma simples, este teste mostra quão bem as artérias conseguem alargar e manter elasticidade quando o fluxo sanguíneo aumenta: artérias saudáveis fazem-no com facilidade; artérias rígidas ou danificadas têm mais dificuldade.

No grupo AM, o valor de FMD subiu para 6.7%, enquanto no grupo de controlo desceu para 4.6%. Trata-se de uma diferença com impacto.

Também a pressão arterial diastólica - o valor mais baixo da medição, que reflecte o esforço das artérias entre batimentos cardíacos - melhorou, sobretudo entre os homens.

Nos homens do grupo de controlo, a pressão arterial central aumentou, em média, 5 pontos (mmHg).

Já nos homens que consumiram a combinação abacate-manga, observou-se uma redução de cerca de 1.9 pontos. Mantida ao longo do tempo, uma diferença deste tipo pode ser bastante relevante.

Porquê abacates e mangas?

À primeira vista, abacates e mangas não parecem uma dupla óbvia: um é mais gordo e de sabor mais neutro; o outro é doce e tropical. No entanto, do ponto de vista nutricional, complementam-se de forma eficaz.

O abacate é rico em gorduras monoinsaturadas, consideradas benéficas para o coração, e que podem ajudar a apoiar níveis saudáveis de colesterol. Fornece também fibra, que contribui para a digestão e ajuda a prolongar a sensação de saciedade.

Por ser uma boa fonte de potássio, o abacate apoia o equilíbrio de fluidos e a função normal dos músculos e dos nervos. Inclui ainda vitaminas como E, C e K, além de várias vitaminas do complexo B, associadas ao suporte da pele, da imunidade e da produção de energia. Entre os seus antioxidantes contam-se a luteína e a zeaxantina, que podem contribuir para proteger a saúde ocular.

A manga fornece vitamina C, importante para a imunidade e para ajudar o organismo a absorver ferro. Disponibiliza também vitamina A, um nutriente essencial para a visão, a pele e o funcionamento normal do sistema imunitário.

Além disso, a manga contém antioxidantes como o beta-caroteno e polifenóis, que ajudam a proteger as células do stress do dia a dia. Também aporta potássio e folato, nutrientes associados ao suporte da saúde do coração e do bem-estar geral.

Principais resultados do grupo abacate-manga

Em conjunto, no grupo AM verificaram-se aumentos mensuráveis em três componentes: fibra, vitamina C e gordura monoinsaturada.

Para além dos dados cardiovasculares, alguns marcadores seleccionados de função renal também melhoraram no grupo que consumiu fruta.

A investigadora principal do estudo, a Dra. Britt Burton-Freeman, é professora no Illinois Institute of Technology.

“Esta investigação reforça o poder de estratégias centradas primeiro na alimentação para ajudar a reduzir o risco de doença cardiovascular, particularmente em populações vulneráveis como as pessoas com pré-diabetes”, afirmou a Dra. Burton-Freeman.

Sem necessidade de mudanças drásticas

Um dos aspectos mais interessantes é precisamente aquilo que não aconteceu. Os participantes não perderam peso. Não reduziram calorias. Não passaram a correr mais quilómetros nem começaram aulas de bicicleta indoor. Ainda assim, surgiram melhorias cardiovasculares.

Isto sugere aos investigadores um ponto importante: alimentos ricos em nutrientes podem, por si só, melhorar marcadores específicos de saúde, independentemente de perda de peso.

“É uma mensagem encorajadora: pequenas adições densas em nutrientes - como incluir abacate e manga em refeições e lanches - podem apoiar a saúde do coração sem necessidade de regras rígidas ou de grandes reformas alimentares”, acrescentou a Dra. Burton-Freeman.

Para os milhões de norte-americanos que vivem com pré-diabetes e se sentem sobrecarregados com conselhos de saúde, esta forma de enquadrar a mensagem é relevante.

Neste estudo, não se observaram diferenças no colesterol, na glicemia ou em marcadores de inflamação - portanto, não se trata de uma solução para tudo. Ainda assim, enquanto peça de um quadro mais amplo, estes resultados merecem atenção.

O que importa reter

A doença cardiovascular continua a ser a principal causa de morte a nível mundial. Em pessoas com pré-diabetes, o risco é ainda mais elevado.

Há muito que investigadores e médicos defendem a ideia de que a alimentação pode funcionar como medicina, mas os detalhes concretos nem sempre são fáceis de estabelecer. Estudos como este acrescentam evidência prática a esse conselho geral.

Um abacate e uma chávena de manga por dia não substituem cuidados médicos nem um estilo de vida saudável e equilibrado.

No entanto, se ajudarem discretamente a apoiar a saúde dos vasos sanguíneos e a manter a pressão arterial sob controlo - sem esforço extra - é uma troca que muita gente aceitaria.

O estudo completo foi publicado na revista Revista da Associação Americana do Coração.

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